Eu fui ao cabeleireiro
E pedi:
- Com certeza, Mademoiselle!
Passadas duas horas,
Muita água quente, shampoo frio, tesouras, pentes, ganchos e calor
O cabeleireiro, ao fim, deu-me um espelhinho oval
Para as mãos
E disse:
- Tenha a bondade de olhar, Mademoiselle.
E eu tive a bondade; olhei o espelhinho oval
E mais o grande que já tinha em frente.
E falei para o espelhinho oval:
- Boa tarde, Senhora Dona.
Donde é que eu a conheço?
E o cabeleireiro, então, pôs muito fixador
Pf...Pf...Pf...Pf...Pf...
e eu cresci muito naquele dia.
Deixou-nos hoje esta figura encantadora. Deixa-nos a sua obra literária dedicada às crianças e jovens e tão apreciada pelos mesmos. As suas crianças e os seus jovens, e apenas isso.
Deixo-vos um dos seus divertidos poemas "Mise" e um outro " Que o silêncio", em jeito de chamada de atenção para as nossas florestas que , nestes dias de muito calor, estão mais expostas aos descuidos da mão humana...QUE O SILÊNCIO
Que o silêncio
Verde
Da floresta
Não saiba nunca
O silêncio
Negro
Das cinzas
Matilde Rosa Araújo, in As Fadas Verdes
Se quiseres ler outros textos de Matilde Rosa Araújo, clica aqui:
http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Matilde_Rosa_Araujo.htm#Txt_online




10 comentários:
oi professora,
tudo bem?
Os textos de Matilde Rosa Araújo são muito engraçados!!!!
Beijinhos e boas férias!
Desculpe professora mas não assinei.
Francisca Coutinho
Olá, Kika, fiel seguidora deste blog. Obrigada pelo teu comentário. Boas leituras e bons mergulhos que o tempo está a pedir umas banhocas na praia. Nós, professores, ainda entregues às tarefas de preparação do próximo ano lectivo... Tem que ser...
Beijinho,
Lígia
Era um cantar de amigo,
Se o tinha não o terei:
Era um cantar de amigo,
Era feito para um rei.
Era um cantar de amigo,
Cantar que nunca cantei:
Era um cantar que não digo
De amor que nunca direi.
Era um cantar feito beijo
Dos beijos que nunca dei:
No rosto que já não vejo,
No rosto que não verei.
Era um cantar feito dedos
Das mãos que nunca lhe dei:
Buscando afagos, segredos,
No corpo que não busquei.
Era um cantar de amigo,
Era feito para um rei
Filho do povo que eu sigo
Cantar que nunca cantei.
Era um cantar de amigo
E agora tudo está frio:
Vou cantando o que não digo,
Lavando o rosto no rio.
Matilde Rosa Araújo, “Era um cantar de amigo”,
In Revista Colóquio Letras, Poesia, n.º 7, Maio 1972
Olá Lourdes!
Cheio de ritmo e de musicalidade este poema de Matilde Rosa Araújo com o qual nos presenteias. Muito obrigada pelo teu contributo!
Beijinhos,
Lígia
Olá professora!!
Como estão a correr as férias?
Gosto muito destes poemas da Matilde Rosa Araújo...
Beijinhos da aluna Rita...
O resto de umas boas férias
Olá, Rita!
Ainda não estou de férias...mas já falta pouco. Por enquanto ainda há trabalho para fazer na escola, mas depois...ah! que bem me vão saber uns dias de descanso sem horários e obrigações! Espero que as tuas estejam a ser ÓPTIMAS! E que continuem... Aparece por aqui sempre que te apeteça!
Beijinho,
Lígia
Ora viva professora, está tudo bem consigo?
As aulas começaram e é tempo de trabalhar....
Estou gostar deste novo ano!
Passei por aqui para lhe mandar um beijinho e um bom ano lectivo (apesar de esse já ter começado)
Francisca Coutinho
OLá KiKa! Dizes bem, é tempo de trabalhar...Comigo passa-se o mesmo - muito trabalho! Este ano não vou dar continuidade ao blog. As tarefas são muitas, há muito para fazer ao nível da disciplina de L. Port, muita coisa a mudar e o tempo não chega para tudo. Tenho pena de deixar de fazer algo que achava interessante e motivador para os alunos e ao mesmo tempo me dava prazer, mas não me posso "esticar" mais. E o fim-de-semana é mesmo para "desligar" da escola sempre que puder. Um grande beijinho para ti e obrigada pela tua visita.
Lígia
olá professora,
tudo bem?
comigo está tudo bem, tenho passeando por aqui...
Boas festas, pois o Natal está à porta!!!!!
UNS GRANDES BEIJINHOS KIKA
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