A Propósito do Ano Internacional da Astronomia





A POESIA E OS ASTROS

A propósito do Ano Internacional da Astronomia e do trabalho desenvolvido pela colega Lourdes da Escola Conde de Oeiras ( blog "ESBOÇO A VÁRIOS TRÁÇOS"),
alguns alunos das turmas 5º C , 6º D e eu própria recolhemos poemas que falam de astros.
Podemos ilustrar poemas com desenhos e podemos ilustrar desenhos com poemas...


FASES DA LUA

A Lua longe, tão fria,
Vejo-a da minha janela
Mas muda tanto de forma!
Grande vaidosa é ela!
Se está redonda, corada,
Fica linda! Nunca é feia!
Sorri para as estrelinhas…
É fase de Lua Cheia
Mas passado pouco tempo
Diminui, fica elegante
Mostra-se de fato novo,
Fase de Quarto Minguante.
Fica a fazer “toilette”
Nem sequer se deixa ver
É fase de Lua Nova
Mas vai de novo aparecer
E lá volta a Lua linda
P’ra que encante toda a gente
Vestida de fato novo
Fase de Quarto Crescente.
E não pára, muda sempre,
Mas é linda, sempre bela,
Passa de fase em fase
Vejo-a da minha janela.
Há muito que tenho um sonho
Que queria realizar
Sentar-me um dia na Lua
E com ela conversar.

Isabel Lamas (recolhido por: Francisca Coutinho , nº 7 – 5º C)

A BORDO DE UM VAIVÉM

A lua já foi mais longe
Saturno e Marte também
qualquer dia é um instante
chega-se lá de rompante
a bordo de um vaivém.

Eu gosto de fazer contas
à velocidade, à distância
e juro que sou assim
desde que dei por mim
no princípio da infância.

Gosto de pôr nos cadernos
foguetes e foguetões
e de inventar as rotas
para as fantásticas frotas
que vão em novas missões.

Por isso sou astronauta
em Cabo Canaveral
ou talvez numa estação
que esteja em construção
algures em Portugal.
E depois mando um postal
a dizer: “Do espaço, com um abraço,
nesta estação orbital.”

José Jorge Letria ( recolhido pela Francisca do 5º C)


SE PERGUNTAREM DAS ARTES

Se perguntarem das artes do mundo?
Das artes do mundo escolho a de ver cometas
despenharem-se
nas grandes massas de água: depois, as brasas, pelos
recantos,
charcos entre elas.
Quero na escuridão revolvida pelas luzes
Ganhar baptismo, ofício.
Queimado nas orlas de fogo das poças.
O meu nome é esse.
E os dias atravessam as noites até aos outros dias, as
Noites
Caem dentro dos dias – e eu estudo
Astros desmoronados, mananciais, o segredo.

Herberto Hélder ( recolhido por: Lígia)


O SOL

O que é o sol?
Uma lâmpada
na noite?
Uma roda de fogo?
Um navio iluminado?

Lâmpada na noite
roda de fogo
navio iluminado?

Teu rosto puro
que amanhece.

Papiano Carlos

(recolhido por: Ricardo V. Araújo, nº 17 – 6ºD)




A poesia gosta de rir
porque o riso a alivia
dos medos e dos fantasmas
que lhe aparecem dia a dia
e também das contas certas
que não rimam com a alegria
e adiam a felicidade
como quem mata a magia.

A poesia tem uma escola
onde gosta de aprender
que trovoadas e ciclones, planetas e clones
são formas de o universo
não se cansar e morrer.





José Jorge Letria
(recolhido por: Rodrigo Lourenço, nº 18 – 6ºD )


SETE
Levantei-me de manhã
A varrer o meu balcão
Encontrei Nossa Senhora
Com sete ramos na mão

Já não há estrelas no céu
Senão sete ao pé da lua
Já não há nem pode haver
Cara mais linda que a tua

Eu tenho sete navios
Todos com sete varandas
Hei-de subir à mais alta
Para ver onde tu andas.


Trindade Coelho
( recolhido por: Miguel Almeida, nº 13 – 6ºD)


Foz do Arelho ou Primeiro Poema do Pescador

Este é apenas um pequeno lugar do mundo
um pequeno lugar onde à noite cintilam luzes
são os barcos que deitam as redes junto à costa
ou talvez os pescadores de robalos com suas lanternas
suas pontas de cigarro e suas amostras fluorescentes
talvez o farol de Peniche com seu código de sinais
ou a estrela cadente que deixa um rastro
e nada mais.

Um pequeno lugar onde Camilo Pessanha voltava sempre
talvez pelo sol e as espadas frias
talvez pela orquestra e os vendavais
ou apenas os restos sobre a praia
«pedrinhas conchas pedacinhos d’osso»
e nada mais.

Um pequeno lugar onde se pode ouvir a música
o vento o mar as conjunções astrais
um pequeno lugar do mundo onde à noite se sabe
que tudo é como as luzes que cintilam
um breve instante
e nada mais.

Manuel Alegre, Foz do Arelho, 8.8.96
( recolhido por Lígia )

ENCONTRO

Marquei encontro
com o sol
esta manhã.
Em vez do sol veio a nuvem
com seus pezinhos de lã.

Pôs-se a chorar à janela
para eu a deixar entrar,
de lágrimas fez um rio
que vai na rua a passar.

Marquei encontro
com o sol esta manhã.
Em vez do sol
veio o vento
e pôs tudo em movimento.

Varreu as folhas do chão,
varreu a nuvem do ar.
Entrou-me pela janela
Um raio de sol a brilhar.

Marquei encontro
com o sol
esta manhã.
Não vou faltar ao encontro.
Até amanhã.

Luísa Ducla Soares, «A gata Tareca e outros poemas levados da breca»


HISTÓRIA DE UMA ESTRELA

De tanto a noite olhar,
E de uma sozinha estrela
Mais que as outras fixar,
Deixou, o menino, de vê-la.

Fez-se pequeno o destino,
Fez-se tão pequeno o mar
Que nos olhos do menino
Caiu uma estrela a brilhar.

Virgílio Alberto Vieira, «A cor das vogais»


QUANTO CUSTA?

Ó senhor crescido,
quanto custa a lua?

Não custa dinheiro,
se quiseres é tua.

Ó senhor crescido,
e o sol é caro?

Não custa dinheiro
este sol tão claro.

Ó senhor crescido,
mas a Terra então?
Meu pai diz que a terra
custa um dinheirão
e eu vi no jornal
que um metro de terra
custa um conto e tal!

Luísa Ducla Soares, «Poemas da mentira e da verdade»

NOITE

Filho,
meu filho,
vem-te deitar.
Já sobre o mar
o sol se deitou.

Mãe,
e a lua
se levantou.
Se tenho mãos
é para mexer,
nunca mais quero
adormecer.

Filho,
meu filho,
vem-te deitar.
Já sobre o mar
o sol se deitou.

Mãe,
e a lua
se levantou.
Se tenho pés
é para correr,
nunca mais quero
adormecer.

Filho,
meu filho,
vem-te deitar.
Já sobre o mar
O sol se deitou.

Mãe,
E a lua
Se levantou.
Se tenho olhos
é para ver,
nunca mais quero
adormecer.

Pôs-se a contar
estrelas no céu;
chegou a vinte,
adormeceu.

Luísa Ducla Soares, «Poemas da mentira e da verdade»

( recolhidos por: António Carriço, nº3 - 5º C)



E uma pequena brincadeira minha...



O ASTRONAUTA LUNÁTICO

Se me disseres que foste à lua
a Neptuno e a Plutão
dir-te-ei que és um tonto,
um lunático, um aldrabão…

Sonhavas ser astronauta
mas que grande toleirão!
Tantas “viagens” fizeste
Que caíste da cama p’ró chão!


Lígia Lima



E se quiseres aprender mais sobre os astros clica nestes links:






7 comentários:

Lourdes disse...

Boa, boa!
Vou dizer aos meus alunos para virem até aqui ver os vossos poemas e desafiá-los para os utilizarem, lendo-os na semana da leitura que vai ter início amanhã.
A escola interactiva a funcionar ;)
beijinhos estrelados

Francisca disse...

Professra já cá estive no seu blog e acho intersante vou tentar ilustrar o poema que pesquisei.
Boa-noite até manhã.
Francisca.

Lígia disse...

Francisca, fizeste bem em passear um pouco neste jardim antes de ires dormir... Até vais dormir melhor! Obrigada pela tua colaboração aqui e na aula, sempre!
Beijinho
P.S. Ainda não coloquei o outro poema que recolheste...

David F. 6ºD disse...

olá professora passei aqui pelo blog para ver os poemas.

jardimdasletras disse...

E fizeste tu muito bem. Pode ser que descubras lá por casa algum para acrescentar aqui...Até 2ª f e um beijinho.

Nuno Roberto 6ºD disse...

O Único Mistério do Universo é o Mais e não o Menos

No dia brancamente nublado entristeço quase a medo
E ponho-me a meditar nos problemas que finjo...

Se o homem fosse, como deveria ser,
Não um animal doente, mas o mais perfeito dos animais,
Animal directo e não indirecto,
Devia ser outra a sua forma de encontrar um sentido às coisas,
Outra e verdadeira.
Devia haver adquirido um sentido do «conjunto»;
Um sentido, como ver e ouvir, do «total» das coisas
E não, como temos, um pensamento do «conjunto»;
E não, como temos, uma ideia do «total» das coisas.
E assim - veríamos - não teríamos noção de conjunto ou de total,
Porque o sentido de «total» ou de «conjunto» não seria de um «total» ou de um «conjunto»
Mas da verdadeira Natureza talvez nem todo nem partes.

O único mistério do Universo é o mais e não o menos.
Percebemos demais as coisas - eis o erro e a dúvida.
O que existe transcende para baixo o que julgamos que existe.
A Realidade é apenas real e não pensada.
O Universo não é uma ideia minha.
A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha.
A noite não anoitece pelos meus olhos.
A minha ideia da noite é que anoitece por meus olhos.
Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos
A noite anoitece concretamente
E o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso.

Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade.
Mas, como a essência do pensamento não é ser dita, mas ser pensada,
Assim é a essência da realidade o existir, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.

O espelho reflecte certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.

Estas verdades não são perfeitas porque são ditas,
E antes de ditas, pensadas:
Mas no fundo o que está certo é elas negarem-se a si próprias
Na negação oposta de afirmarem qualquer coisa.
A única afirmação é ser.
E ser o oposto é o que não queria de mim...

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Lígia disse...

Olá, Nuno!Que grande poema! E logo de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa. Hum... difícil de interpretar, não é verdade? Obrigada por teres deixado aqui o teu contributo. Bom Domingo chuvoso :( e até amanhã!